Neutralidade da rede

Neutralidade da rede é um desses chavões de mercado onde só se encontram unanimidades. Quer parecer bem em um jantar de inteligentinhos progressistas? Diga que é a favor da Neutralidade da Rede. A maior parte das pessoas mal compreende do que se trata, mas todos são a favor.

Esta semana a Neutralidade da rede ganhou um novo aliado: Donald Trump. Como tudo que Trump fala ou defende é considerado errado ou está alinhado com o atraso e com a perseguição de grupos oprimidos como mulheres, negros, latinos, homossexuais, etc…, seu apoio ao fim da Neutralidade da rede acabou por arrebanhar ainda mais apoio para a Neutralidade entre aqueles que simplesmente gostam de odiar a Donald Trump.

Mas afinal, o que é neutralidade da rede?  Neutralidade da rede é algo como o socialismo na Internet. Você promete que todos serão iguais na rede, mesmo que isto prejudique o desempenho de determinados serviços na Internet, impeça os provedores de serviço de oferecer serviços premium para usuários que desejem pagar por isto e, consequentemente, reduzir o preço do acesso básico que usuários comuns pagam.

Imaginem um serviço de vídeo pela Internet como o Youtube. Aplicações de vídeo são muito mais sensíveis a latência de um pacote de dados que transite pela Internet do que aplicações de e-mail como o Hotmail, por exemplo. O atraso de 1 segundo no recebimento de um pacote de vídeo causará um soluço no vídeo tocado, já em uma aplicação de e-mail este atraso nem será percebido. Qual é o problema de pacotes de dados de vídeo terem preferência sobre os dados de e-mail se o provedor de serviço de vídeo pagar por isto?

Agora examinemos o caso de 2 usuários distintos. O primeiro usa e-mail, navega na Internet para fazer compras e usa o Facebook.   O segundo baixa filmes gigantescos, assiste Netflix e joga videogames com seus amigos pela Internet. Os dois pagam o mesmo pelo serviço, pois o provedor não pode tratá-los de forma diferente, mas o segundo usuário consome muito mais recursos do que o primeiro. Qual é a justiça que há nisto?

A desmontagem da Neutralidade proporcionará também novos investimentos na Infraestrutura da Internet. Não basta um provedor desejar vender pacotes diferenciados para seus clientes, é preciso que sua infraestrutura tenha capacidade de diferenciar usuários, aplicações, limites de banda, prioridade, etc… e isto não é barato. Serão necessários investimentos em equipamentos, serviços profissionais, processos e softwares. Por que não desregulamentar o mercado e permitir a competição?

Neutralidade da rede é apenas mais uma faceta do politicamente correto, agora referida a Internet. É apenas mais um episódio de “Wishful thinking” ou mais uma utopia que nos leva a distopia. Se um grupo de “heavy users” puderem melhor rentabilizar os provedores, a competição poderá levar a redução de preços nos serviços mais básicos, destinados a clientes orientados a preço.  Espero que nossos legisladores acordem e percebam que a direção correta está a 180º de distância.

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